As mães não são iguais

Sim! É isso mesmo. As mães não são todas iguais, assim como todos os homens não são iguais, todos os pais e filhos também não são.

Alguns sentimentos podem ser parecidos e realmente fazerem parte da natureza materna, como o amor, a culpa, o instinto de proteção e cuidado com a prole. Mas não se pode generalizar. Nem todas as mães têm estes sentimentos.

Inspirada na virgem Maria, a figura materna já carrega um mito de mãe boa, zelosa, preocupada, que não abandona, maltrata ou tem qualquer sentimento negativo em relação ao filho.

Assim como inúmeras expectativas são geradas a respeito do filho que nasce, dezenas de expectativas também são depositadas na mulher quando exerce o papel de mãe. Dizem que quando nasce um filho, nasce uma mãe culpada. A começar pelo fato daquela mulher que acaba de virar mãe não ser perfeita, não conseguir, ao longo do processo, suprir toda a demanda do filho por mais que ela se esforce para isto. O mito da supermãe está fortemente presente nestas relações, algumas mulheres relatam que anulam por tempos alguns papeis ou funções que exerciam para assumirem a maternidade.

Certamente, a vida modifica consideravelmente com o nascimento do bebê e alguns reajustes na vida da mulher são necessários, principalmente na fase em que os filhos são totalmente dependentes dela.

Mas mães são imperfeitas, limitadas e também precisam de cuidados. Existem mães que sentem vergonha dos filhos, que invejam seus filhos, que não conseguem lidar com os sucessos ou fracassos deles, que não os protegem quando algo ou alguém os ameaça. Isso não quer dizer que são mães ruins, mas sim que, antes de serem mães, são pessoas que erram e acertam.

Recentemente, ao acessar a internet, visualizei um vídeo criativo e bem-humorado de um ator fantasiado de mulher. Nele o ator questionava o peso que as mulheres carregam quando desempenham o papel de mãe e o quanto a culpa dos comportamentos inadequados dos filhos caem sobre elas: às mães. De forma descontraída, engraçada e também distorcida, até a teoria Freudiana é citada.

Há mães que se martirizam severamente por não suprirem as carências e expectativas delas e dos filhos e isso, pode iniciar pelo parto, que elas gostariam que fosse de uma forma e foi de outra. É importante entender qual o tipo de mãe que essas mulheres conseguem ser, como que desempenham os seus papeis e reconhecer suas limitações e se perdoar quando necessário.

Os filhos, por outro lado, podem enxergar a mesma mãe de forma diferenciada. As mães, muitas vezes, não são as mesmas para cada filho. Em famílias em que os pais tiveram muitos filhos (essa formação era mais frequente há décadas atrás), isto se torna mais evidente se questionarmos o primeiro e o último filho a respeito da figura materna ou paterna; a resposta pode ser bem diferente. Os filhos certamente podem ter conceitos distintos e avaliarem seus pais de forma subjetiva.

Ao trabalhar com algumas famílias percebe-se o quanto as mães são diferentes e as relações que estabelecem com cada filho são singulares. Tem filho que considera a mãe amável, protetora, já para o outro filho, ela pode representar uma mãe displicente e até mesmo, nociva. Isto também se encaixa para as relações entre os pais e os filhos.

O mito da mãe perfeita e a cobrança social ainda exercem forte influência sobre parte as mulheres. A mãe que trabalha fora não é pior que a mãe que cuida integralmente do filho. O padrão tradicional maternal enraizado contrasta com a multiplicidade dos modelos maternais existentes e é, neste sentido, que devemos nos nortear para ampliarmos o olhar sobre a maternidade.

Foto Capa: Padecendo no Paraíso

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Hugo Sasdelli

BH Dicas

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