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Coisa de menina?

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Esse vídeo ficou famoso, não é a toa.

Tenho o hábito de “passear” pela internet procurando me inteirar sobre determinados assuntos. Um deles é a maternidade.  Sou mãe? Não. Ainda não, mas possivelmente um dia serei e por isso me interesso muito pelo tema, gosto de acompanhar as questões e dilemas da função, que já deu pra perceber, não é nada fácil.

Gosto de saber com o que as mães estão pré-ocupadas e de opinar. Falo o que penso a partir da minha experiência de filha e de observadora, mas não posso dizer que minha formação de psicóloga, não tem influência nenhuma sobre as minhas opiniões. Porque tem. De qualquer forma adoro conversar sobre o assunto com as amigas, com meu marido e acompanho blogs muito interessantes sobre o tema. A conversa é sempre uma maneira muito boa de repensar o que a gente acha que é certo, abrir a cabeça e mudar de opinião. Ou discordar e reafirmar nossas convicções. Sei lá. A verdade é que aprendo muito toda vez.

Tenho observado – quem não tem, né?!, que não é de hoje, o quanto rótulos sociais estão impregnados na nossa mente e muitas vezes nem nos damos conta. A gente aprende valores, cresce achando que aquilo é o certo – tanto que afirmamos nossa opinião para outras pessoas e quando alguém discorda, a gente fica puto. É claro! Como que alguém pode falar que determinada opinião sobre aquele assunto, não presta? Geralmente é assim que funciona, mas sugiro a abertura da mente. Quando vamos pra qualquer conversa tentando não julgar e disposto a pelo menos entender outros pontos de vista, fica tudo mais fácil.

Falar é fácil e fazer não. É muito difícil? É, mas acredito que precisamos exercitar.

Outro dia, em uma dessas “andanças” pela internet, achei uma mãe muito preocupada, falando sobre uma das preocupações que seu filho pequeno estava causando, por gostar de rosa e de “coisas de menina. O que fazer? Como agir? E agora?

Esse assunto é bem recorrente, polêmico e sempre me dá aquela vontade de sumir, quando escuto determinadas opiniões. Eu sei, todo mundo precisa respeitar o que o outro pensa, mas é que me tristeza. Tento ser cuidadosa e falar o que eu penso sem agressividade. Até porque se tem alguma possibilidade do outro reavaliar alguma ideia, é na paz e não na falta de educação. Eu sei.

Mas dá tristeza. Não a pergunta da mãe, porque essa, eu acho mesmo um avanço quando as pessoas se perguntam sobre isso. A bem pouco tempo atrás essa questão nem levantada era e bem provavelmente os pais já mandariam logo um “larga isso menino, vai brincar de carrinho! Você não é homem não?“. A decepção vem do ideal que a gente projeta. Alguns comentários de mães e mulheres que tem o pensamento tão estereotipado que não conseguem nem perceber o quanto contribuem para a manutenção da cultura do machismo e da mulher submissa.

ibhdicas maternidade brincar
Foto: Google

Muitas contribuições extremamente preconceituosas e homofóbicas, que retratam a maneira de pensar da sociedade. Separei alguns comentários recorrentes de debates como esse, e por favor, leia todos, para entender: “Eu não tenho preconceito, mas… ” , “Eu não deixaria!”, “Tentaria mostrar pra ele o correto.. “, “Eu iria orientar – isso é de menina e isso é de menino, mas se ele crescesse com essa forma de pensar, eu iria ama-lo da mesma forma”, “Ninguém quer ter um filho homem que queira ser mulher”, “Tem que explicar, criança não sabe. Vai crescer e vai querer usar vestido. Você vai deixar?”, “As pessoas são falsas, falam que tudo bem porque não é com o filho delas”, “As opiniões são ótimas na teoria, quero ver na prática”, “Ficaria chateada, sabendo que meu filho vai viver num mundo cheio de preconceito”, “Antes um filho gay, que um estuprador”, “Tenho amigos gays, mas se meu filho falasse que é eu não ficaria feliz”, “Estimularia ele a brincar com coisas de meninos, EU NÃO ACEITO!“, “Ninguém nasce sabendo e educação é pra isso. Vai deixar a criança fazer o que quiser, depois não chore com as consequências”, “Minha religião não apoia, então eu não aceitaria nunca”, “Hoje em dia as coisas estão muito descaradas, precisa de pulso firme, não permita”, “São crianças, não sabem o que escolher, você precisa ajudar e mostrar o certo. Antes que seja tarde.”, “Se você não ensinar seu filho a ser homem, quem vai ensinar? Tem que ter rédea curta”, “Enquanto estiver sobre o meu teto, são minhas escolhas, minhas regras, eu ensino a ser um HOMEM de verdade!”, “Tá errado e pronto!”. 

Os estereótipos confundem a gente e limitam a maneira como encaramos o mundo. É uma forma confortável que encontramos para padronizar pessoas, comportamentos, valores e crenças. No caso, as crianças não nascem com o desejo de brincar de casinha, de boneca, com carrinho ou de bola porque são meninos ou meninas. Essa vontade é adquirida socialmente a partir dos modelos que apresentamos a elas, da observação que elas fazem do mundo. A brincadeira que seu filho escolhe, não define a sexualidade dele e a melhor maneira de lidar com isso é naturalmente.

Brincar é universal e sem gênero. Oferecer várias opções de brincadeiras para as crianças aumentam a autonomia, o poder de escolha e estimula o aprendizado, a experimentação de objetos, vivência e descobertas. Evitar adjetivos também é um exercício e ajuda. Respeitar a individualidade do filho e garantir o direito dele de brincar, sem transformar isso em um grande problema, com certeza contribui para adultos bem diferente do que encontramos hoje em dia.

A sociedade está passando por mudanças e precisamos refletir sobre o que nos foi ensinado ou impostos,  parar de reproduzir automaticamente aquilo que aprendemos, sem questionar. PRECISAMOS QUESTIONAR, gente!

Comprar um brinquedo pode ser visto como uma escolha para a criança, um momento de participação, construção e parceria entre os pais e filhos. De novo: precisamos não reforçar estereótipos e ajudar – ou tentar pelo menos, a mudar o pensamento de quem está pertinho da gente. Aceitamos nossa memória de educação, mas não precisamos reproduzir. Azul não é coisa de menino e rosa não é coisa de menina. Para, né?!

É preciso conversar, debater e se informar cada vez mais e melhor. Em Belo Horizonte tem muita gente boa, empenhada em desconstruir esse e tantos outros tipo de pensamentos preconceituosos e estereotipados. Segue fontes muito confiáveis e de qualidade para nos ajudar nessa caminhada: Padecendo no Paraíso | Canguru BH | Vila Mamífera

 

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