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É de um clichê que seu coração precisa!

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“Depois Daquela Montanha”

Clichê: “Expressão idiomática que de tão utilizada torna-se previsível. Desgastou-se, perdeu o sentido ou tornou-se algo que gera uma reação ruim, algo cansativo, em vez de dar o efeito esperado, ou simplesmente repetitivo. No sentido figurado, é uma ideia já batida, uma fórmula muito repetida de falar ou escrever, um chavão”. 

É assim que muita gente enxerga alguns novos roteiros e, por causa dessa não fuga do lugar-comum, não consegue gostar ou aceitar determinados filmes. Eu já sou o contrário: adoro clichês! Amo o casalzinho apaixonado, como este exemplo do dicionário: “O artista principal é sempre solteiro ou descasado, para poder namorar a mocinha… Se for casado, o casamento vai mal, e aí surge a outra, que é a mulher ideal, e vice-versa – sempre o mesmo tipo de história”.

Posso dizer que um dos motivos por que gostei do filme “Depois Daquela Montanha”, do diretor Hany Abu-Assad e que está estreando nos cinemas, é que ele é carregado de clichês. Olha só a sinopse: Alex (Kate Winslet), uma jornalista descolada que está se preparando para seu casamento, e Ben (Idris Elba), um doutor voltando de uma conferência médica, iriam pegar o mesmo avião, mas o voo é cancelado, e os dois estranhos decidem fretar um jatinho. Durante a viagem, o piloto sofre um ataque cardíaco, e o avião cai em uma região montanhosa coberta por neve. Um romance começa a ganhar força enquanto eles travam uma verdadeira luta pela sobrevivência, feridos e totalmente perdidos. Muito clichê, né? Você acaba conseguindo desenhar o filme todo na sua cabeça – os percalços, as dificuldades, o sofrimento, o envolvimento de um pelo outro. E, assim, já sabe onde tudo vai dar, o final feliz você vai esperar, mas tudo o que vai rolar até lá é o que pode te maravilhar.

É aí o grande ponto, em que o diretor e toda sua equipe vão trabalhar e surpreender em cima do roteiro baseado no livro de Charles Martin. “Depois Daquela Montanha” é uma aventura bonita de se ver (a fotografia dos alpes nevados norte-americanos é de encher os olhos), e as dificuldades que os protagonistas passam são reais, perfeitamente plausíveis, nada de cenas de ação mirabolantes ou impossíveis de se ver e acreditar. Sem floreios ou anseios, o longa segue num ótimo ritmo, bem dinâmico, e a química entre os dois personagens acontece naturalmente. Inclusive, os dois atores estão muito bem em cena, colocando realidade e empatia no roteiro.

Em certo momento do filme (o que também pode ser visto como clichê), Ben diz para Alex que é neurocirurgião porque é alucinado com o cérebro humano. Ela, toda interessada e carregada de clichê, pergunta: “Mas o coração não seria mais importante?”. E ele devolve, friamente, ainda mais clichê ainda: “De jeito nenhum, o coração é só um músculo!”.

Falando desse jeito, até parece que o protagonista é um completo insensível. Muito pelo contrário. O decorrer do filme mostra que ele é o mais entregue. Inclusive, é por meio do grande coração do médico salva-vidas que os dois alcançam a sobrevivência em meio a tantos percalços e embaraços. Ou seja, para não esquecer, tá aí mais um clichê! 

Na verdade, nesse papo piegas de força do amor, que é capaz de tanto ato involuntário, uma pergunta vem e nos deixa com cara de otário: “Se o coração é só um músculo, por que é que ele nunca se cansa de trabalhar?”.

Não me venha com respostas técnicas, baseadas em livros e estudos, o que quero mesmo é esta resolução, com cara de objeção: em terra de cérebros livres, frios e impiedosos, prefiro a mistura pura e comovente de ser apenas um coração. Não tem maior clichê do que isso, não!

 

Até sexta-feira que vem!!!

Fotos: Divulgação

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