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Longe do terror, só queremos paz e amor

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“O Dia do Atentado”

Os norte-americanos são meio psicopatas quando o assunto é o patriotismo exacerbado. Nenhum país do mundo é tão nacionalista e, consequentemente, nenhum país do mundo vai expor esse sentimento no cinema mais do que os Estados Unidos. Isso está nítido desde aqueles que elevam a data da independência, como “O Patriota” (2000), “Nascido em 4 de Julho” (1989) e “Independence Day” (1996), passando por biografias históricas de heróis ianques, como “Sniper Americano” (2014), “Invencível” (2014) e “Sully” (2016), até os  que atacam o terrorismo como o grande e o pior mal do século, como “A Hora Mais Escura” (2012), “As Torres Gêmeas” (2006), “Voo United 93” (2006), “Guerra ao Terror” (2009) e “Nova York Sitiada” (1998). E, aumentando essa última lista, entra o filme “O Dia do Atentado”, que acaba de estrear nos cinemas. 

Após os atentados terroristas à Maratona de Boston, em 2013, um grupo formado pelo sargento da polícia Tommy Saunders (Mark Wahlberg), o agente especial do FBI Richard Deslauries (Kevin Bacon), o comissário da polícia Ed Davis (John Goodman), o sargento Jeffrey Pugliese (J.K. Simmons), entre outros,  unem-se aos sobreviventes do ataque em Massachussets para identificar e capturar os responsáveis pela tragédia que matou três inocentes e feriu mais de 260 antes que os criminosos pudessem fazer novas vítimas. O longa, que é uma nova parceria do diretor Peter Berg com Wahlberg, depois de  “O Grande Herói” (2013) e “Horizonte Profundo: Desastre no Golfo” (2016), é praticamente um registro semidocumental em torno do ataque com duas bombas caseiras ocorrido no dia 15 de abril daquele ano. O ponto positivo é que esse ar de documentário se perde já nas primeiras cenas, quando personagens são apresentados antes da corrida e a tensão já se inicia meio que instantaneamente. Com um roteiro didático, e ao mesmo tempo dinâmico, a caçada aos culpados pelas explosões, os irmãos Dzhokhar Tsarnaev e Tamerlan Tsarnaev, não é nada monótona nem tampouco melodramática, trazendo emoção nos momentos certos.

Como é de se esperar, tanto em “O Dia do Atentado” como em todos os outros filmes citados, a guerra do amor contra o ódio está presente como a luz do sol, forte como uma rocha, firme como passos de elefante, necessária como a esperança. E ainda assim não fica pedante. Fica claro e previsível, mas longe do presunçoso. Assim como em discursos políticos, naquela já velha discussão da luta do bem contra o mal, esse é um assunto que está longe de ser infundado, muito menos de ser finalizado. Enquanto houver o terror, haverá tempo de luta, de glória e de clamor. Sem ser piegas: a eterna busca da vitória do amor. 

E é claro que, por ser uma produção baseada em uma história real, tudo fica mais crédulo, empolgante, envolvente. A sensação que tenho, na hora em que estou assistindo a esse tipo de filme, é de completo envolvimento. E a vontade que dá é de ali mesmo, dentro do cinema, já pegar o celular, dar um Google e buscar mais informações sobre aquilo tudo. Mas os olhos não conseguem sair da telona – e ninguém quer incomodar os outros com o brilho incomodante da telinha. Se no filme a gente vê a luta do amor contra o ódio, e até acredita em tudo isso, não dá pra alimentar esse embate em nosso convívio, abaixar a cabeça e ficar omisso. Legal mesmo é ser da paz, da turma do “deixa disso”! 

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