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Um filme ou um sonho: o que dizer?

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“La La Land: Cantando Estações”

O que dizer de um filme que fala de sonhos de uma maneira tão sutil e musical? O que dizer de um filme que aborda o jazz e o teatro de um jeito tão especial? Um filme que faz referências o tempo todo… Seja da música, do próprio cinema como um todo ou de cenas específicas, dos anos que se passaram, do estilo que muitos usavam… Uma aula cinematográfica, uma mistura de nostalgia, brilho e amor pela arte. “La La Land: Cantando Estações” é tudo isso que todo mundo está falando, sim. Na verdade, é muito mais! Damien Chazelle, que chegou ao estrelato como diretor no sensacional “Whiplash: Em Busca da Perfeição”, descobre essa tal perfeição nesse seu novo longa, grande ganhador do Globo de Ouro 2017 com sete prêmios e no topo da lista do Oscar, que acontece em fevereiro. Ele consegue transmitir sua paixão pelo cinema de uma forma tão exacerbada que o espectador sente isso. E isso é lindo!

Continuando: o que dizer de um filme que homenageia não só Hollywood, mas toda Los Angeles, a Cidade dos Sonhos, como se fosse algo do seu dia a dia? Até aqueles que torcem o nariz para musicais podem se surpreender. As cores das estações se mesclam com pernas e braços coreografados, sapateados cronometrados, vozes afinadas, tudo bem natural em momentos-chave, dando aquele ar de conto de fadas, porém, com a realidade dura e sarcástica logo ali, o que faz da história crível e instigante. É compreensível a reação dos espectadores e os sorrisos em seus rostos em várias partes do filme. E o que dizer de um roteiro, também assinado por Chazelle, que mostra dois protagonistas tão diferentes entre si, mas que têm objetivos e sonhos tão bem-traçados? Mia (Emma Stone) é uma aspirante a atriz que trabalha como atendente em um charmoso café bem em frente a um estúdio de Hollywood. O fracasso em inúmeros testes não a faz desistir daquilo que mais alucina: ser uma grande atriz. Já Sebastian (Ryan Gosling) é um ótimo pianista, mas que não vê seu talento aclamado. Amante inveterado do jazz, ele é a indignação em pessoa com a existência de um bar de sambas e tapas, que sediou um espaço do estilo musical que tanto ama. Assim, percebendo que o jazz está morrendo, seu sonho é abrir um clube para mantê-lo vivo. Duas vidas, dois amores que se unem e encontram forças para seguirem seus planos.

E aí continuamos a saga das perguntas retóricas: o que dizer da atuação desses dois atores que vêm se destacando ano após ano, filme após filme? Gosling se entrega completamente ao longa. Num desempenho físico extraordinário, o ator canta, dança e toca piano de forma impressionante. Mas eu fiquei mesmo maravilhado foi com o trabalho e o esforço de Emma. Ela é a personificação da arte do teatro. As cenas de testes, quase todas em close, exigem que ela demonstre realmente o que é ser atriz. E Emma joga na nossa cara esse poder em sequências de grandes cenas – sem contar que ela também canta, dança, sapateia… E o que dizer da química entre os dois, que já tinham trabalhado juntos em “Amor à Toda Prova” e “Caça aos Gângsteres”? É brilhante, resplandecente, flamejante. A sequência de encontros de seus personagens, que logo de cara não se bicam, nos mostra essa energia, o crescimento do amor, a entrega da cumplicidade, tudo desenhado pela luminosidade das estações. Algo intenso e primoroso de se ver.

E, pra fechar, o que dizer de um filme com uma trilha tão estonteante? Não só pelo fato de você sair da sala de cinema sorrindo, com “City of Stars” batendo como estrelas cadentes na sua cabeça, mas por todas as canções serem identificáveis, vigorosas, estimulantes… como o som da bateria e do sax do jazz que acompanha toda a produção (tal qual em “Whiplash”) e te vicia. O que dizer de um filme que é mágico, a cara do Oscar? O desfecho disso tudo, assim como o do filme, é bem seguro e realista. Você sai do cinema feliz por ter visto uma belíssima história, enquanto o longa entra para a história como um dos romances contemporâneos mais graciosos que o cinema já concebeu. Se é pra falar de sonhos, que eles sejam árduos e custosos, como os da vida real. Mas que eles não percam o alvor das cores, da fantasia, das estações e dos musicais.

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