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Uma deusa humana

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“Mulher Maravilha”

Poderia ser mais um filme sobre super-herói, mas é muito mais do que isso. Pra começar, é uma super-heroína, só que em uma produção solo de respeito – não como foram aqueles trágicos “Mulher-Gato” (2004) e “Elektra” (2005). É a “Mulher Maravilha”, uma superprodução épica, que eleva a personagem da DC Comics à primeira heroína dos quadrinhos a ir tão longe sozinha. E, em tempos de luta e de feminismo, nada mais justo do que esse espaço valorizado e tão bem produzido, digno da supremacia feminina. Na verdade, eu já achava que essa mulher poderosa criada em 1941 deveria ter essa glória desde sempre. Desde os áureos tempos, em que acordava cedo para ver “Super Amigos – Liga da Justiça”, no “Xou da Xuxa”, numa pequena TV meio chuviscada, na década de 80, que eu já a amava. Agora, em 3D de uma sala Imax do Boulevard Shopping, chego a idolatrá-la. Ainda mais após acabar a sessão, terminar com a tensão e perceber em cada detalhe que isso, sim, é uma superprodução. Em todos os sentidos, da mensagem implícita de uma mulher, Patty Jenkins, dirigindo um filme desse calibre, até a representatividade de estarmos diante da melhor adaptação da DC desde “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2008), o que dá uma nova vida ao novo universo da companhia, prejudicado pelo irregular “Batman Vs Superman – A Origem da Justiça” (2016) e pelo desastroso “Esquadrão Suicida” (2016).

Fazendo jus a um grande filme biográfico, a trama começa nos dias atuais, dando claras ligações com a Liga da Justiça, mas logo busca explicar as origens da personagem, num flashback que dura o longa todo. Na história, Diana Prince (Gal Gadot), treinada desde cedo para ser uma guerreira imbatível, nunca saiu da paradisíaca ilha em que é reconhecida como princesa das amazonas. É nesse cenário fantasioso e incrível que um elenco só de mulheres treina e luta de forma única. É como ver “Gladiador” ou “Troia” só com mulheres, um filme de guerra numa perspectiva fora do comum. É estimulante e inovador pelo domínio delas, é ainda mais importante e belo por serem apenas elas. Quando o espião britânico Steve Trevor (Chris Pine) se acidenta e cai de avião nas águas de uma praia do local, Diana descobre que uma guerra sem precedentes está se espalhando pelo mundo e decide deixar seu lar certa de que pode parar o conflito. Já no cenário da Primeira Guerra Mundial, a diretora dispensa o tom sombrio dos filmes anteriores da DC e investe em cenas eletrizantes de dia mesmo, com visuais impressionantes, o que torna o longa um dos melhores do gênero. Vai ser lutando com uma espada, um escudo, dois braceletes indestrutíveis e um laço da verdade que Diana percebe o alcance de seus poderes e sua verdadeira missão na Terra.

E, para dar vida a uma Wonder Woman, uma pérola israelense foi descoberta. Desacreditada por ser uma iniciante, Gal Gadot é carisma, um brilho gratificante. Não há uma cena do filme em que aquela beleza estonteante não deixe o público cambaleante. Parece que o papel foi feito para ela: inocente, sensível, curiosa, acaba se tornando ágil, imponente, vigorosa. Diana vai se deparar com a realidade nua e crua da Terra ao lado de Steve, que a guia nesse desejo altruísta de salvar o planeta. É justamente na relação dos dois, cuja química está perfeita, que o humor está mais presente. Sempre pauta quando se trata do combate Marvel x DC, o humor aqui acaba humanizando Diana, reforçando sua ingenuidade e simplicidade devido ao fato de ter vivido isolada do mundo. Uma virtude transformada em curiosidade pelo corpo masculino, em uma das divertidas cenas, ou em prazer nas pequenas coisas, como quando ela tomou seu primeiro sorvete, ou até mesmo nos tímidos galanteios do galãzinho inglês, mostrando que a super-heroína também é capaz de amar alguém, além da própria humanidade, é claro.

Essa não é apenas uma mistura de ação, fantasia, aventura e até mesmo de romance. Para a representatividade da mulher superpoderosa nas telonas, a filha de Zeus – com a força de Hércules, a sabedoria de Atena, a beleza de Afrodite e a velocidade de Hermes – nos mostra que poderoso mesmo é o sexo nada frágil. Neste mundo machista enrustido, após sete filmes estrelados pelo Super-Homem e nove pelo Batman, precisávamos de apenas um da Mulher Maravilha, essa deusa humana, para mostrar quem realmente manda nessa bagaça toda.

 

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